Um Criador Multifacetado
Mário Fernando Silva é um criador multifacetado português, natural do Porto e residente em Valbom, Gondomar. Formado pelo Instituto Jean Piaget, exerceu durante vários anos a profissão de professor — uma experiência que deixou marcas profundas na sua sensibilidade pedagógica e na forma como comunica através da arte.
A sua presença digital remonta a 2007, quando criou o seu perfil no Flickr, e desde então tem vindo a construir um universo criativo vasto e coerente, distribuído por múltiplos blogs, redes sociais e plataformas de partilha.
A sua obra atravessa três domínios fundamentais: a fotografia de natureza e paisagem, a escrita literária e ensaística e, mais recentemente, a pintura digital assistida por inteligência artificial.
"As fotos registam o momento, mas a alma guarda o que a imagem não consegue capturar."
— Mário SilvaPercurso Criativo
A Palavra como Pincelada

A escrita de Mário Silva caracteriza-se por uma prosa poética densa, que acompanha sistematicamente as suas fotografias e obras digitais. Cada imagem é acompanhada por um texto que funciona simultaneamente como análise técnica, reflexão filosófica e narrativa literária.
Este formato híbrido — a que poderíamos chamar "écfrase expandida" — é uma das marcas mais distintivas do seu trabalho. Os seus textos revelam um profundo conhecimento da natureza transmontana, da história de Portugal e da tradição oral portuguesa.
Recorre frequentemente a provérbios populares, como "Telha de igreja sempre goteja", para ancorar as suas reflexões no imaginário coletivo português.
Portugal Rural e Identidade Transmontana
A aldeia de Águas Frias, no concelho de Chaves, é o espaço geográfico e simbólico de referência. Documenta e reflete sobre a vida rural transmontana com rigor documental e sensibilidade poética.
A Natureza como Texto
Descrições de aves, plantas, cogumelos e paisagens que são simultaneamente científicas (com nomenclatura latina) e líricas. O Cartaxo-comum como 'monarca que reclama os espinhos como o seu trono'.
A Memória Histórica
Textos sobre a Grande Cheia de 1962 no Porto e a Convenção de Gramido (1847) ligam o presente ao passado histórico da região, transformando catástrofes em tributos à 'alma invicta'.
Escrita Pedagógica
O blog ProfValbom, ativo desde 2007, contém reflexões sobre educação e metodologias de ensino. A série 'Sala de Aula e a Voz' aborda questões práticas do exercício docente.
Pintura com Inteligência Artificial
"Se arte é definida como qualquer criação humana que expresse beleza, criatividade ou significado, então as obras de IA podem certamente ser consideradas arte."
— Mário Silva, epígrafe do blog Arte (AI)A dimensão mais recente e inovadora da obra de Mário Silva é a sua produção de pinturas digitais criadas com ferramentas de inteligência artificial generativa. Esta prática representa uma síntese entre a sua experiência como fotógrafo e a sua sensibilidade pictórica.
A técnica predominante é o impasto digital — uma simulação computacional da técnica pictórica tradicional que consiste em aplicar tinta espessa e texturizada sobre a tela, criando relevos e volumes. Esta escolha confere às obras uma tridimensionalidade quase táctil.
O seu estilo oscila entre o impressionismo e o expressionismo, com uma preferência por paletas cromáticas intensas. As obras noturnas e de inverno dominam a sua produção, refletindo uma preferência pela melancolia luminosa.

Temas Predominantes
O Olhar Documental e Poético

A fotografia de Mário Silva, com um arquivo de quase 8.000 imagens no Flickr (desde 2007), constitui a espinha dorsal da sua obra. Especializado em fotografia de natureza e paisagem, captura principalmente a região de Águas Frias e o Norte de Portugal.
As suas fotografias distinguem-se pela qualidade técnica — com recurso frequente ao bokeh para isolar sujeitos — e pela profundidade narrativa dos textos que as acompanham. Cada fotografia é uma janela para uma história maior.
Ecossistema de Plataformas
| Plataforma | Conteúdo Principal | Volume |
|---|---|---|
| Flickr | Fotografia de natureza | 7.905 fotos |
| YouTube | Vídeos mensais | 79 vídeos |
| Twitter/X | Obras e textos | 1.386 posts |
| Partilha de obras | 1.100+ seg. | |
| Blogs SAPO | Arquivo (encerrado) | 5 blogs |
| Blogs Blogger | Ativo desde 2026 | 3 blogs |
Em janeiro de 2026, Mário Silva anunciou a migração de todos os seus blogs da plataforma SAPO (que encerrou) para o Blogger, com a mensagem: "NÃO É UM FIM — É UM RECOMEÇO." Os novos endereços são mariosilvafotografia.blogspot.com e mariosilva-pinturas-ai.blogspot.com.
Obras Selecionadas
Noite escura e pluviosa
Avenida urbana sob chuva intensa. Azuis cobalto, violetas e púrpuras com reflexos de candeeiros no pavimento molhado. A chuva como 'verniz que aviva o mundo'.
Grande Cheia em Miragaia e Ribeira – Porto (1962)
Homenagem à memória coletiva do Porto. Tons dourados e âmbar recriam a tragédia histórica da cheia de 1962 com atmosfera de nostalgia e drama.
Raposa no rigoroso inverno transmontano
Vulpes vulpes num cenário gelado de Trás-os-Montes. Olhar 'pintado com precisão quase hipnótica'. Conflito entre sobrevivência animal e economia rural.
O Sonho do Cão
Cão dourado junto a lareira monumental numa casa transmontana. Narrativa onírica sobre a liberdade dos campos de Trás-os-Montes.
Violência Doméstica
Retrato perturbador em grande plano. Rosto feminino num momento de 'puro terror e dor'. Uma das obras mais impactantes do repertório do artista.
A Avó e o Neto
Cena de intimidade familiar com textura vibrante e expressiva. Replicação da alma da pintura tradicional através do impasto digital.
Sala de Aula e a Voz (I-III)
Série de três textos sobre o uso da voz pelo professor. Reflexões práticas sobre pedagogia, comunicação e o exercício docente.
Crónicas Mensais sobre Portugal
Série de crónicas mensais documentando os principais acontecimentos políticos, culturais e desportivos de Portugal. Registo literário do Portugal contemporâneo.
Perfil Criativo e Síntese
A obra de Mário Silva representa um caso singular na cultura digital portuguesa: a de um criador que, sem pertencer ao circuito das instituições culturais formais, construiu ao longo de quase duas décadas um corpus artístico coerente, diversificado e de qualidade assinalável.
A adoção da inteligência artificial generativa como ferramenta criativa não representa uma rutura com o seu percurso anterior, mas antes uma continuação lógica: o mesmo olhar que captura a raposa transmontana na fotografia é o que a recria em impasto digital.
A sua obra é, acima de tudo, um ato de amor a Portugal — ao seu interior esquecido, às suas tradições ameaçadas, à sua natureza exuberante e à sua história tantas vezes ignorada.